Revisa›Blog›Trade marketing›Coordenador de trade marketing tem direito a hora extra? Loja de madrugada, equipe terceirizada e bônus de execução
Trade marketing

Coordenador de trade marketing tem direito a hora extra? Loja de madrugada, equipe terceirizada e bônus de execução

Coordenar promotores de uma agência terceirizada não faz, sozinho, de alguém um cargo de confiança. Veja o que conferir na jornada, no trabalho de madrugada e no fim de semana, nos descontos de material e no bônus de execução.

Equipe Revisa·13 de outubro de 2026·9 min de leitura

Pode ter. O coordenador de trade costuma ouvir que é gestor, mas muitas vezes a equipe que ele coordena é de uma agência terceirizada: ele cobra a execução, mas não contrata, não desliga e não decide sobre essas pessoas. Sem poder real de decisão e sem gratificação de 40%, a jornada volta a ter limite. Além das horas, três pontos são comuns no cargo: o trabalho de madrugada e no fim de semana para montar loja, os descontos por material perdido e o bônus de execução, que às vezes muda no meio da campanha.

Este texto é para quem foi coordenador, analista sênior ou supervisor de trade marketing, merchandising ou execução no ponto de venda numa indústria de bens de consumo ou farma, e saiu nos últimos dois anos.

Como costuma ser a rotina de um coordenador de trade

  • Visita a lojas antes da abertura para conferir a execução dos promotores.
  • Montagem de ponto extra, ilha e vitrine à noite ou de madrugada, com a loja fechada.
  • Lançamentos, inventários e eventos de loja no sábado e no domingo.
  • Auditoria de execução com foto, planilha e índice de loja perfeita.
  • Controle de material de ponto de venda, brindes e amostras.
  • Relatórios para a área comercial e reunião com a agência de promotores à noite.

Cargo de confiança: coordenar não é decidir

O artigo 62 da CLT tira o controle de jornada de quem tem poder real de decisão e gratificação de função que deixe o salário pelo menos 40% acima do cargo efetivo. O texto está no site do Planalto.

Sinais de que o cargo pode ter sido de confiança só no nome:

  • A equipe de campo era de uma agência, e quem contratava e desligava era a agência.
  • A verba de trade, o calendário de campanhas e o planograma vinham prontos da área de marketing.
  • A sua agenda de lojas era definida pela gerência.
  • O holerite não tinha gratificação de função destacada.

O texto sobre supervisor e gerente de vendas explica a gratificação de 40% e onde olhar no holerite. Para os dias na rua, o texto sobre trabalho externo mostra quando o horário podia ser controlado.

Madrugada, fim de semana e feriado

  • Adicional noturno. O trabalho entre 22h e 5h tem adicional de pelo menos 20%, e cada hora noturna é contada com 52 minutos e 30 segundos (artigo 73 da CLT). Montar loja de madrugada entra aqui.
  • Domingo e feriado. Trabalhados sem folga em outro dia, são pagos em dobro.
  • Reflexos. Quando esse trabalho era frequente, ele também entra nas férias, no 13º e no FGTS.

Montava loja de madrugada ou trabalhava no fim de semana sem receber a mais? Uma análise mostra se a sua jornada foi tratada como devia.

Falar com especialista →

Descontos por material perdido

Material de ponto de venda, brindes, amostras e equipamentos somem com frequência no trade. A lei só permite descontar do salário um dano causado pelo empregado quando isso foi combinado por escrito ou quando houve intenção de causar o dano (artigo 462, parágrafo 1º). Desconto por material que sumiu na loja, sem acordo e sem culpa sua, merece conferência.

O bônus de execução

O trade costuma ter bônus ligado a índice de execução, auditoria de loja e resultado de campanha. Três pontos merecem conferência:

  • Meta alterada durante a campanha para ficar mais difícil de bater: quando a régua mudou depois de a campanha começar, a diferença pode ter ficado para trás.
  • Prêmio pago todo mês pela meta normal: pode ter natureza de salário e entrar nas férias, no 13º e no FGTS.
  • PLR proporcional: quem saiu antes do pagamento costuma ter direito à parte proporcional aos meses trabalhados.

O texto sobre comissão, prêmio e PLR explica cada caso, e o texto sobre meta e estorno trata da meta mudada durante a campanha.

Um exemplo, com números redondos

Imagine um salário de R$ 8.000 e uma hora a mais por dia, em 22 dias por mês. A hora normal sai por cerca de R$ 36; com o adicional de 50%, a hora extra fica em cerca de R$ 55. São 22 horas por mês, perto de R$ 1.200 por mês, antes do adicional noturno, das dobras de domingo e feriado e dos reflexos.

O número de cada caso depende da rotina, do salário e do período. O exemplo mostra só como a diferença se acumula.

O que a análise confere

Numa conversa de cerca de 10 minutos, a análise olha:

  • quem decidia sobre a equipe de campo e sobre a verba de trade;
  • a rotina de lojas, montagens de madrugada, fins de semana e feriados;
  • os holerites, procurando adicional noturno, dobras e descontos;
  • o bônus de execução e as mudanças de meta durante as campanhas;
  • o termo de rescisão, para ver o que entrou no acerto.

Não é preciso ter tudo guardado. Fotos de montagem, mensagens do grupo e planilhas de auditoria ajudam, mas a conversa começa pelo relato. Para os outros pontos do acerto, veja o que conferir ao sair da empresa.

Dúvidas comuns

A equipe que eu coordenava não era da empresa. Isso muda alguma coisa?

Muda a favor da conferência. Se os promotores eram de uma agência, quem contratava e desligava era ela, e o seu poder de gestão sobre eles pode não ter existido.

Eu folgava em outro dia depois da montagem. Ainda vale conferir?

Vale, mas olhando outros pontos. A folga compensa o domingo ou o feriado, mas não o adicional noturno nem as horas além da jornada naquela semana.

Descontaram do meu salário um material que sumiu na loja. Podiam?

Só se isso estava combinado por escrito ou se houve intenção sua de causar o dano. Fora disso, o desconto merece conferência.

Já assinei a rescisão. Ainda dá?

A rescisão registra o que foi pago. O que não está nela pode ser revisado, desde que dentro do prazo.

Existe prazo?

Existe. Em geral, cerca de 2 anos depois da saída para pedir a revisão, que pode olhar os últimos 5 anos de trabalho. O texto sobre prazo explica melhor.

A empresa vai ficar sabendo?

Não pela conversa. A análise é sigilosa, e qualquer passo depois dela só acontece se você decidir.


Este texto é informativo e não substitui a análise do seu caso. Cada contrato e cada rotina são diferentes.

Análise sigilosa · Sem compromisso

Isso se aplica ao seu caso?

Se você se identificou com algum dos pontos acima, uma análise técnica do seu histórico pode mostrar se há valores a receber. O processo é sigiloso e sem compromisso.

Falar com especialista no WhatsApp
Falar no WhatsApp